Entrevista especial com a diretoria de Aposentados e Pensionistas da Fenafisco, Maria Cristina Lima De Sousa
Maria Cristina Lima de Sousa é auditora fiscal do Piauí e coordena desde 2005 a diretoria de Aposentados e Pensionistas da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco). Conhecida por sua atuação em defesa dos aposentados, Maria Cristina conta ao Notifisco sobre os projetos desenvolvidos na Fenafisco, a situação atual dos aposentados e sua a luta contra a retirada de direitos durante a Reforma da Previdência.
Notifisco –Qual é o trabalho realizado pela FENAFISCO em defesa dos aposentados?
Maria Cristina - O trabalho mais importante é fazer com que a paridade e a integralidade que estão previstas na constituição brasileira sejam cumpridas. Nós participamos das negociações com o governo, damos palestras para os aposentados tentando animá-los, uni-los e tentando não deixar que esmoreça a luta para que eles se mantenham aguerridos para conseguir o objetivo. Procuramos fazer o convencimento das autoridades para cumprirem a constituição brasileira, mostrando que é politicamente ruim maltratar aposentado. Também temos um trabalho voltado para levantar a auto-estima do aposentado e pensionista. Nesses cinco anos, nós crescemos muito. Antes não havia encontro de aposentado, não havia congresso de aposentado e quando tinha não havia tanta importância, mas hoje é o que tem de mais bonito dentro da Federação. Muito pode ser feito no sentido de fazer com que os aposentados se mobilizem cada vez mais e se conscientizem de que eles tem que ter o mesmo tratamento, ou até melhor, do que os da ativa.
|
|
Notifisco – Como você analisa a situação do aposentado hoje?
Maria Cristina - A minha análise é de que o aposentado fica muito esquecido e, muitas vezes, é utilizado como medida eleitoreira. Alguns senadores ficam dizendo que protegem o aposentado, mas na hora de votar, são contra os projetos dos aposentados. Há mais fala, mais discurso, do que ação. Eu acho que o aposentado tem que ser resgatado pela importante contribuição que deu e porque tudo que temos hoje é fruto desse trabalho. Essas pessoas trabalharam e doaram suas vidas inteiras, trabalhando em postos fiscais, correndo risco de morte, de doenças, de tiro. É uma profissão de risco. Eu acho que os aposentados merecem um tratamento melhor. Primeiro porque quando eles estavam em atividade as condições de trabalho eram piores do que hoje. Segundo, porque quando a pessoa está aposentada é quando ela mais precisa de dinheiro, de atenção e de salário bom.
Notifisco – Você acompanhou a Reforma da Previdência, em 2003. Como foi esse processo?
Maria Cristina - Os servidores públicos do Brasil de várias entidades faziam pressão no Congresso Nacional para tentar melhorar o projeto de reforma da previdência, negociando para que pelo menos as pessoas que já estavam aposentadas fossem preservadas. Esse era essencialmente o nosso trabalho, nós tentávamos impedir a retirada brutal de direitos. O governo alegava que a Previdência é deficitária, mas isso não é verdade. Nós temos estudos, como o da professora Denise Gentil da Universidade do Rio de Janeiro, provando que a Previdência é sustentável. Se você fizer os cálculos direitinho, vai ver que não falta dinheiro, embora o número de aposentados esteja aumentando porque a população está envelhecendo. O Brasil não é mais um país de jovens e isso preocupa, mas o que nós temos que fazer é promover uma inclusão maior, fazer com que mais pessoas contribuam para a previdência, tirar os brasileiros da informalidade.
Notifisco – As entidades de classe mantiveram pressão constante no Congresso Nacional tentando reverter os pontos negativos da Reforma da Previdência. Quais foram as vitórias desse movimento?
Maria Cristina - Nós conseguimos aprovar a emenda 47, em 2005, melhorando a situação dos aposentados e de todo o funcionalismo público do Brasil. Essa emenda representou o retorno para a constituição brasileira dos dois mais importantes direitos, que é a paridade e a integralidade. Ou seja, quem entrou no serviço público até a data da emenda 41, dezembro de 2003, voltou a ter a integralidade e a paridade asseguradas para a sua aposentadoria.
Notifisco – Essa é a quinta vez em que você participa de uma atividade do SINDAFEP. Como você analisa a atuação do sindicato na defesa dos aposentados?
Maria Cristina - Eu vejo o SINDAFEP como um exemplo a ser seguido pelo Brasil inteiro, pela organização, pela responsabilidade que há no trabalho com os aposentados. Nisso os dirigentes sindicais do Paraná estão de parabéns. Tanto que eu me considero uma apaixonada pelo SINDAFEP, justamente porque ele valoriza o aposentado. Não só eu, mas a Fenafisco como um todo, vê esse trabalho como uma coisa maravilhosa.
 |
 |
|